sábado, 30 de junho de 2007

OS JOGOS DO RIO E DE VANCOUVER

No fim do ano passado, estive em Maringá por alguns dias. O objetivo era falar com o ocupadíssimo reitor da minha universidade, e depois visitar minha filha que mora no Paraná. Nos poucos dias que fiquei na cidade, fui descoberto por um esperto jornalista do jornal O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ. Ele me entrevistou e antes que eu seguisse minha jornada, a matéria já estava nas bancas de jornal de Maringá. Elton Hubner havia feito jornalismo também no CESUMAR. Depois, nos encontramos já nesse ano, quando novamente estive na cidade e ele se preparava para viajar para o Canadá. Hubner acabou de me enviar um texto de Vancouver, onde ele se encontra, que vou publicar aqui com maior prazer.

Os jogos do Rio e de Vancouver

Costumam dizer que Vancouver lembra um pouco o Rio de Janeiro, com suas praias ao lado do centro da cidade, lindas paisagens da natureza exuberante, povo sossegado, muitos turistas e vida noturna agitada. Mas não é só isso que me faz, aqui em Vancouver, lembrar o Rio.
Mais de 2 mil pessoas moram nas ruas da cidade. Considerando que isto aqui é o Canadá e que, além de rico e relativamente pouco habitado, é um lugar realmente frio, o número de sem-tetos é alarmante. E não é só o de sem-tetos.
Vancouver também tem uma das maiores concentrações de viciados em drogas do Canadá. Isso não é baseado em fontes, mas uma constatação de quem, quando vai ao trabalho de manhã, costuma ver pessoas injetando heroína e fumando craque ao longo de quadras e quadras, até que as pessoas vão mudando e, com a mesma naturalidade, já carregam copos de café e jornais em vez de seringas, cigarros, "pedrinhas" e isqueiros.
Atraídos pelo clima mais ameno da última grande cidade antes da fronteira com os Estados Unidos, muitos mendigos e viciados param em Vancouver e, geralmente, se instalam na parte leste do centro da cidade, a chamada 'Downtown Eastside', bem onde eu moro. Aqui, conseguem drogas com facilidade e convivem com muitos companheiros nas ruas, onde é bem mais fácil de sobreviver do que se estivessem em lugares mais gelados como Toronto, que tem temperaturas entre os 20 e 30oC durante o inverno. Ninguém quer dormir na rua sem saber se vai acordar ou virar pedra até a manhã seguinte.
Limpeza pros jogos
Enquanto os Jogos Panamericanos chegam ao Rio de Janeiro, os habitantes de Vancouver ouvem falar cada vez mais dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados aqui em 2010. Como esconder os morros da cidade litorânea? O que fazer com as comunidades das favelas? Como assegurar a segurança dos visitantes durante os jogos? O que fazer pra fingir que o Estado é onipresente num país em que, sabemos, o povo só pode mesmo contar com a sorte e fé em Deus?
Aqui no norte, perguntas pouco diferentes começam a se espalhar como cochichos e tendem a aumentar com manchetes de jornais, passeatas e ações de grupos comunitários organizados. Resumindo, todas as perguntas têm origem numa resumida assim: Como o governo canadense está pensando em varrer as ruas do leste de Vancouver até os Jogos em 2010?
O jornal quinzenal do Centro Comunitário Carnegie, localizado no âmago da maior concentração de viciados e sem-teto de Vancouver, contou que, pouco antes das Olimpíadas de Atlanta, em 1996, algumas leis foram criadas pra afastar 'maus elementos' sem que o Estado tivesse que sujar suas mãos com ameaças e chacinas de milícias ou da polícia, por exemplo. Tornando ilegal urinar em público, esmolar agressivamente, deitar em bancos de parques e até circular em estacionamentos sem ter o próprio carro estacionado nele, por exemplo, a prefeitura de Atlanta conseguiu expulsar vários sem-tetos da cidade. Segundo o jornal de Carnegie, um advogado estima que 10 mil sem-tetos tenham sido presos naquela época. Além disso, Atlanta presenteou com passagens de ônibus de ida as pessoas que prometeram não voltar mais à cidade.
Muita gente quer que a história de Vancouver seja bem diferente daquela, e também quer que nunca seja extrema como a crise urbana do Rio. Pelo menos a violência ainda não é a principal preocupação aqui no norte. Nada de arrastões, nada de milícias, nada de bondes e toques de recolher, nada de guerra civil. Ainda assim, a luz no fim do túnel pra essas pessoas pisca a todo instante. Será que dá pra contar com ela acesa?

Elton Hubner tem 26 anos, é jornalista e ilustrador. Já esteve em mais de 30 países e vive em Vancouver, no Canadá.
Para ler mais: www.eltonhubner.blogspot.com

sexta-feira, 29 de junho de 2007

2006 - 2007 - ORGANIZAÇÃO DA ANF

Logo após o registro e inscrição no CNPJ, bem como abertura de conta corrente e Caixa postal, demos início a etapa final de organização da ANF. Em agosto de 2006, decidi permanecer definitivamente no Rio de Janeiro, fixando aqui residência novamente, desejoso de concretizar enfim o sonho de fazer funcionar a ANF, colocando em prática as propostas aqui defendidas com determinação e coragem.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

2005 – ULTRAPASSANDO BARREIRAS

Em 2005 retiramos do ar o site da ANF, por minha ausência e falta de atualização do mesmo. Ainda neste ano, ciente da importância da minha presença para a continuidade do projeto, permaneci por um período de três meses no Rio de Janeiro, refazendo contatos e resolvendo os problemas burocráticos mais urgentes. Em 06 de setembro de 2005 reunimos um grupo de dez pessoas, lançando assim o estatuto definitivo da ANF.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

2004 - CONSTRUINDO UM SONHO

Neste ano, tornei-me membro da direção do Conselho da Comunidade, sendo o mesmo presidido pelo atual Deputado Marcelo Freixo. Logo em seguida, por motivos pessoais, ausentei-me da CASA DA CIDADANIA, permanecendo, no entanto, como uma referência importante para a sustentação deste cenário de relações favela-asfalto. Coube a mim a responsablilidade de dar continuidade ao sonho da ANF, dando ao projeto o formato de uma organização independente, com finalidades específicas.
Juntamente com o nascimento da CASA DA CIDADANIA, nascia em 1997 o sonho de construção da ANF - AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DAS FAVELAS. Um sonho atravessado por anos de experiência, após um longo percurso de interlocução que mantive com vários segmentos da sociedade, interessados em conhecer de perto esta realidade.
Em abril fui morar e estudar jornalismo em Maringá(Paraná), deixando aqui um grupo de pessoas interessadas em sustentar o projeto, enquanto à distância acompanhava todo o processo. Durante um longo período passei a vir periodicamente ao Rio, realizando contatos e reuniões com grupos interessados na organização efetiva da ANF. Em maio de 2004 este grupo inicia a feitura de um primeiro estatuto, com uma tentativa frustrada de registro no CNPJ realizada em junho.

Não deu na GRANDE mídia...

GREVE DE FOME CONTRA ANGRA 3

Um dos fundadores e ideólogos do PV (Partido Verde) promete iniciar uma greve de fome nos próximos dias contra a construção da usina Angra 3. Preocupado com a aprovação pelo CNPE(Conselho Nacional de Política Energética) da continuidade das obras paradas desde 1986, José Mynssen, de sessenta e cinco anos, se instalará em frente a ALERJ, esperando sensibilizar o presidente Lula, velho conhecido, a não validar a decisão do conselho.

terça-feira, 26 de junho de 2007

2003 - CONTINUIDADE DO TRABALHO E SUAS AÇÕES PARALELAS

Neste ano a CASA DA CIDADANIA passou a ter assento no Conselho da Comunidade, um órgão de fiscalização do Sistema Penitenciário. Participei como membro do Conselho, realizando visitas nos presídios do Rio de Janeiro com o objetivo de fiscalizar e prestar relatórios das irregularidades cometidas nestes locais.

Participei ainda do documentário Rios Rebellen der Nacht[1], dirigido por Klauss Werner, difundido pela TV alemã. No documentário, a realidade das favelas era retratada por meio de entrevistas, visitas aos locais afetados pela presença da polícia, além dos eventos culturais locais, como os bailes funks, por exemplo. Na ocasião ainda através do movimento FAVELANIA, foi documentado o trabalho que realizávamos com as comunidades, de conscientização acerca dos seus direitos, afixando nas portas das moradias, cartazes contendo os artigos penais que grarantiam a todos os cidadãos a inviolabilidade domiciliar. O documentário registra ainda a existência da ANF, marcando a sua importância para a vida das comunidades, por meio de visitas ao site e comentários acerca da sua utilidade na rotina dos moradores.


[1] WERNER, Klauss. Rios Rebellen der Nacht. 2003, WDR/ARD

segunda-feira, 25 de junho de 2007

2002 – EVOLUÇÕES NO SANTA MARTA

Em 2002 começou a sair do papel o projeto FAVELA BAIRRO para o Morro Santa Marta, com obras de urbanização que envolveu seis outros morros do Rio de Janeiro. Iniciamos o cadastro dos moradores e reuniões com o prefeito Cesar Maia para a discussão das obras e suas prioridades.
Neste mesmo ano o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Unida do Santa Marta passava por dificuldades, quando nos disponibilizamos a montar uma diretoria, disposta a levar a Escola para a Avenida. Entendendo a importância da Escola para a comunidade, assumi o cargo de Vice-Presidente Administrativo e participei da organização do desfile, tendo neste mesmo ano convidado o dançarino Carlinhos de Jesus para ser o enredo do próximo carnaval.
Ainda nesse ano realizamos com os jovens do Santa Marta duas edições do curso de formação de lideranças jovens, aproveitando esses mesmos alunos para desempenhar funções na comunidade.

domingo, 24 de junho de 2007

2001 – PRIMEIRA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DE FAVELAS DO MUNDO

No dia 08 de janeiro de 2001 lançamos o site da ANF, tendo sido citado por Pena[1] como a primeira agência de notícias especializada em informações sobre as favelas cariocas. O site apresentava um cadastro geral das favelas, com informações de localização geográfica das comunidades e análises sobre a realidade local, com artigos e matérias jornalísticas.
Ainda em 2001 auxiliei na organização da ASSOCIAÇÃO DE FAMILIARES E AMIGOS DE PRESOS - AFAP. Fui eleito neste mesmo ano, pela comunidade, presidente da ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO MORRO SANTA MARTA, empreendendo uma série de melhorias locais, em parceria com a Prefeitura, o Governo Estadual e demais organizações da comunidade. Mantive reuniões periódicas com as principais autoridades do Estado e do Município, representando os interesses da comunidade junto à sociedade.



[1] PENA, Felipe. 1000 perguntas – Jornalismo. Editora Rio. Universidade Estácio de Sá. Rio de Janeiro, março de 2005.

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